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*O novo Corona Vírus e as suas regionalidades*

 

Desde o início do ano de 2020, da descoberta de uma doença na China, até a evolução para uma Pandemia inimaginável nos seus efeitos, de tudo o mundo já experimentou, o Brasil já experimentou. As suas regiões já experimentaram. Cada estado e capital, também, já experimentou drasticamente tudo o ela vem provocando.
Há quem diga que falar sobre a pandemia que está assolando, aterrorizando e matando pessoas no mundo todo há mais de 150 dias, desde o primeiro caso, é como sangrar o motivo todos os dias.
E mesmo tendo chegado sem nem possuir nome definido e ser confundido com uma Pneumonia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), hoje, o mundo conhece e teme o avanço da Covid-19, mais conhecida como o novo Coronavírus, que lugarizado apenas na China, se tornou um problema mundial e até o momento, sem freio.
Devido ao atraso e até na demora da descoberta pela própria OMS do que, de fato, se tratava a doença, o mundo viu órgãos, países e estados retardando na prevenção e medidas mais radicais de contenção do vírus.
Com isso, além da China, grande parte dos países da Europa, da Ásia e os Estados Unidos, começaram a contar os seus contaminados e os seus mortos numa curva crescente e sem meios de impedir.

*Brasil*
O vírus começou a se espalhar rápido pelo mundo e aqui no Brasil, o holofotes para a doença acionaram o alerta no mês de Fevereiro, quando trinta e quatro brasileiros que viviam na cidade chinesa de Wuhan, epicentro do novo coronavírus, foram repatriados. Duas aeronaves da Força Aérea Brasileira aterrissaram no Brasil com o grupo.
Eles ficaram de quarentena por 14 dias na Base Aérea de Anápolis, em Goiás.
No dia 26 de Fevereiro, foi confirmado o primeiro caso de coronavírus no Brasil. O diagnosticado é um homem de 61 anos que viajara à Itália e deu entrada no Hospital Albert Einstein no dia anterior.
A partir desse dia o Brasil viu os casos aumentarem, dobrarem, triplicarem em horas, dias, semanas e meses. Hoje já passa da marca de 1 milhão de infectados com o vírus da Covid 19, com quase 50 mil vítimas fatais por complicação da doença.
Lembra quando falei acima de que tudo o país já experimentou?
Pois é!
Com o alerta para a disseminação rápida da doença, em quase todo o país, a Justiça determinou que cada estado e município e a federação brasileira decidisse quais medidas de isolamento e confinamento tomariam, contando que o resultado fosse o menor possível de mais pessoas infectadas e mortas.
A partir daí, o Brasil entrou em uma espécie de quarentena e distanciamento social.
Fecha comércio. Aulas suspensas. Isolamento de praias e áreas de lazer. A hashtag Fica em Casa começou a ganhar força em toda a Nação e, realmente, no início, toda a sociedade brasileira termia o que estava acontecendo.
Tudo fechado e mesmo assim casos aumentavam como a velocidade da luz.
A maioria das pessoas dentro de casa, sendo aconselhadas a tomarem medidas pessoais de prevenção da doença, principalmente, as que podiam.
Mas e aquelas pessoas que se trancaram e viram os dias passarem e as comidas acabarem?
Mas e aquelas pessoas que se trancaram com medo e por medida de prevenção e viram as contas chegando como se nenhuma delas tivesse sido paralisada e se rendido, também, ao atual momento de pandemia?
Agora a discussão é outra: “preciso sair para trabalhar!”
A maior fonte de renda dos brasileiros se concentra no comércio e, este por sua vez, vive o dilema: abre comércio, fecha comércio, declara lockdown.

*Maranhão*

No Maranhão, estado do Nordeste, governado pelo comunista Flávio Dino, opositor ferrenho do governo Bolsonaro, não demorou para que junto com os demais estados começasse a contar os seus infectados e, até, mortos.
Mas, no Maranhão, há um detalhe gritante que, se somado a desequilibrada disseminação do vírus, pode matar ainda mais gente e mais rápido, é o problema da fome, da extrema pobreza em que vivem milhares de famílias maranhenses espalhadas pelos seus 217 municípios.
Foi no dia 20 de Março o 1° caso da doença registrada no estado, na capital São Luís.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, o paciente era um homem idoso que retornara de uma viagem feita à São Paulo.
Após a confirmação, o governo do estado estabeleceu decreto do fechamento, também, do comércio, igrejas e suspensão das aulas, seguindo as mesmas diretrizes de outros estados.
Medidas radicais começaram a ser tomadas a fim da contenção e espalhamento do vírus.
A hashtag Fica em Casa começava a ganhar força no Maranhão.
Desde Março, o estado já viveu de tudo, como citei no início do texto.
Do #ficaemcasa ao lockdown. Do fechamento de tudo, menos o serviço essencial. Do rodízio de carros, à aplicação de multa. Do fechamento da entrada e saída de São Luís, à proibição de viagens, os maranhenses já vivenciaram durante essa quarentena e, mesmo assim, estamos no mês de Junho e o estado já passa dos 68 mil casos de pessoas infectadas pelo novo corona vírus, mais de 1.500 mortes e das 217 cidades maranhense, 214 já foram atingidas, de acordo com a SES.
Faltando poucos dias para completar 3 meses de fechamento do serviço não essencial, Flávio Dino baixou portaria no estado decretando o retorno das atividades no comércio – com restrições.
Ora, se lá em Março, quando o estado tinha apenas casos suspeitos o chefe maior do Maranhão tomou medidas radicais de isolamento, como depois de mais de 1.500 mortes, tudo está voltando ao normal como se o pior já tivesse passado?
Estaria o governador se rendendo às pressões dos empresários?
Estaria o governo federal dificultando os milhões em repasses financeiros para os cofres públicos do Maranhão, obrigando, assim, o estado voltar a produzir economicamente, aumentando a receita dos impostos e da atividade produtiva?
Ou, simplesmente, é um tipo de preocupação com os milhares de maranhenses que correm sério risco de perder os seus empregos e empresas declararem estado de falência?
Com isso, como o vírus “se comporta” diante desse achismo de “o pior já passou?”
Como a sociedade, as famílias, os trabalhadores podem e estão se defendendo?
Mesmo Flávio Dino afirmando que o retorno às atividades vai ser gradual e cheia de restrições, é preciso muito cuidado e cautela por parte dos órgãos de saúde responsáveis e por parte da população, em geral.
Tudo ainda precisa ser muito bem pensado e para alguns tipos de atividades, uma fiscalização rigorosa, no coletivo e no pessoal.
Não que eu seja completamente a favor do fechamento radical de todas as coisas, pois o radicalismo, às vezes, impede o bom raciocínio.
Saúde e economia caminham juntas e, por isso, é importante pensar no povo e não em ideologia partidária, pois quando coloca a cegueira partidária à frente de decisões, o que podia ser sensato, se torna burrice intelectual.
Liberou o trabalho?
Ok!
Mas, que tal lutar pela conscientização de todos pelos cuidados essenciais, pois é claro que a economia precisa girar, mas não há economia se não há gente saudável.

*Mauricio Miguel*
Presidente do Instituto de Cidania Ativa
Coordenador Geral do Coletivo www.bemprosial.com.br

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