Blog do ligeiro

Constatação de um candidato

Candidato à vereador em São Luís, Manoel Henrique

Nessa minha campanha para concorrer ao cargo de vereador de São Luís, muitas das vezes, antes de qualquer outro questionamento acerca de projetos parlamentares, infelizmente, tenho ouvido a seguinte pergunta: ” – vai ter boca de urna?”.
O instituto dissimulado da “boca de urna” tem contribuído para a perpetuação do quadro político que aí está. O candidato abastado, sem nenhuma preocupação social ou institucional, faz uso de um dinheiro – podem crer, de origem irregular – para “comprar votos”. Sim, “comprar votos”, porque, mesmo sendo ilegal essa pretensa “boca de urna”, na verdade, o candidato pilantra – pilantra mesmo – está comprando o voto do pretenso eleitor que estaria recebendo dinheiro para distribuir os “santinhos”.
O problema maior é a cumplicidade do eleitor para com esse tipo de político. Um indivíduo que vende seu voto, sem nenhum escrúpulo, para poder beber uma cervejinha e assar uma carnezinha no dia da eleição, não tem compromisso com ele mesmo. Ao vender seu voto, ele não pode reclamar se não houver vaga na escola pública para seu filho. Não pode espernear, quando chega num hospital público e não é atendido. Não pode se indignar se o transporte público que o serve é ineficiente. Ele já foi pago. E foi pago com seu próprio dinheiro, porque o político pilantra pega dinheiro público para comprar votos de eleitores descompromissados até mesmo consigo e com sua família.
Fico, às vezes, admirado quando vejo, nos jogos de futebol, muitos torcedores se levantarem em sinal de respeito e, com a mão no peito, cantarem com orgulho o hino nacional, em sinal de patriotismo. Na mesma ocasião, fico me perguntando: quantos desses “patriotas” vendem seu voto?

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