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Base quer independência na Assembleia, mas Governo reage

oposiçãoO Estado – Os deputados da base governista na Assembleia Legislativa acenam, desde o início do recesso parlamentar, no fim do ano passado, com uma postura mais independente do Palácio dos Leões.
A opinião das lideranças ouvidas por O Estado na última semana é de que no primeiro ano do governo Flávio Dino (PCdoB) os deputados perderam espaço em virtude da pouca autonomia da Casa.
Os parlamentares avaliam que a ampla maioria formada pelo governador no Legislativo – com apenas quatro dos 42 deputados efetivamente na oposição e o controle de um bloco com nada menos que 22 membros – dificultou o atendimento a seus pleitos pelo Executivo, sobretudo no que diz respeito ao pagamento das emendas.
E é em busca dessa independência que os aliados finalizam as articulações para a divisão do maior bloco da Assembleia, o Bloco Parlamentar Unidos pelo Maranhão, mais conhecido como “Blocão”.
Liderados por Eduardo Braide (PMN), os deputados desse grupo têm força para aprovar ou rejeitar, sozinhos, praticamente todos os tipos de proposições em plenário – à exceção de matérias que requeiram quórum qualificado.
O objetivo é garantir o “reequilíbrio de forças” em plenário, para uma relação favorável à Casa.
“Existe uma busca por um reequilíbrio de forças, esse seria o termo. Não há que se falar em rompimento, nem racha. Mas apenas a busca por mais autonomia, e um maior poder de barganha no diálogo com o governo”, declarou a O Estado um dos deputados mais próximos do governador.
Sinais – Um segundo parlamentar admite que alguns movimentos feitos bela bancada governista no fim do ano passado – como uma repentina saída de plenário quando a Assembleia deveria votar, em regime de urgência, o projeto do Plano Plurianual (PPA) para o quadriênio 2016-2019 – foram os primeiros sinais de que uma nova ordem seria estabelecida.
“Aquele foi como um embrião desse movimento que evoluiu para a discussão sobre a divisão do Blocão”, lembrou.
A sessão legislativa de 2016 está marcada para ser aberta no dia 1º e fevereiro, uma segunda-feira, na semana que antecede o feriado de Carnaval.
Governo responde à base de emendas
O comando político do governo Flávio Dino (PCdoB) não está alheio às movimentações de aliados na Assembleia Legislativa.
Percebendo que pode perder força entre a bancada – principalmente pela dificuldade que teve para garantir acordos referentes ao pagamento de emendas parlamentares – o Executivo fez em janeiro três movimentos que têm como objetivo agradar os deputados.
O primeiro deles foi a garantia de aumento do valor das emendas para o Carnaval. Até o fim do ano passado, estavam garantido R$ 100 mil a cada um dos governistas. Após pressão do presidente da Assembleia, deputado Humberto Coutinho (PDT), o valor foi aumentado para R$ 200 mil.
Outro movimento foi a mudança na articulação política com a Casa. A partir deste ano, quem tratará das demandas dos deputados é o chefe da Casa Civil, ex-deputado Marcelo Tavares (PSB). A função anteriormente era do secretário de Assuntos Políticos, Márcio Jerry (PCdoB).
Por fim, o governo decidiu manter na sua liderança em plenário o deputado Rogério Cafeteira (PSC) e trabalha, também, pela antecipação da eleição da Mesa Diretora, garantindo condições para a reeleição do presidente e de seu vice, o deputado Othelino Neto (PCdoB).
Oposição pode se fortalecer com união de partidos
Além da articulação da própria base, os comunistas se deparam com a possibilidade de a oposição ganhar mais musculatura neste ano.
Deputados estaduais do Partido Verde (PV) e do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) discutem a composição de um novo bloco parlamentar para o segundo ano da atual legislatura na Assembleia Legislativa.
PV e PMDB possuem as maiores bancadas da Casa, ao lado do PDT, com quatro deputados eleitos e em exercício, cada. Caso seja consolidada a nova conjuntura, as legendas forçam mudanças nas composições das comissões técnicas do Parlamento, que são montadas justamente de acordo com os números de membros de cada bloco.
Integram o PV, Adriano Sarney, Edilázio Júnior, Rigo Teles e Hemetério Weba. Atuam pelo PMDB, os deputados Roberto Costa, Andrea Murad, Nina Melo e Max Barros.
De acordo com Roberto Costa, os partidos discutem abertamente a possibilidade de nova composição. Ele destacou que faltam apenas detalhes para a consolidação da aliança.
“O PMDB enxerga com muitos bons olhos essa composição e acredita que os partidos podem sim somar. O que precisamos definir neste momento é justamente qual partido ficará com a liderança do bloco e quais serão os membros indicados para as comissões. Acredito que estamos iniciando um bom diálogo”, disse.
Adriano Sarney também falou da articulação entre as bancadas do Legislativo. “Já existe um diálogo bastante avançado neste sentido, portanto, é possível sim que essa composição seja consolidada”, enfatizou.
Ainda não está confirmado, mas caso os partidos decidam por formar novo bloco parlamentar, o deputado oposicionista Sousa Neto (PTN) também passaria a integrar o colegiado.

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