quarta-feira, 18 de julho de 2018

Joseph Couri: recessão vinda de 2014 é a destruição do mercado interno

"Nós estamos cada vez mais aprofundando o buraco", diz o presidente do Simpi. Foto: Divulgação
O presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, considera que o país está passando por um dos “piores momentos” de sua história.
Segundo o empresário, a situação é de destruição do mercado interno. “Uma recessão muito forte que vinha vindo e que chegou ao ponto onde nós estamos, um dos piores momentos: com o desemprego crescente desde 2014 para cá, com fechamento de empresas, com risco de mais empresas fechando, ou seja, a destruição do mercado interno”.
Na outra ponta, diz Couri, “a elevação dos custos, a importação de produtos substituindo a produção nacional, somado a inviabilidade de acesso ao crédito, com taxas de juros extremamente elevadas, com garantias extremamente rígidas”, inviabilizam os investimentos do setor. “Então, nós estamos numa paralisia, ao invés de estarmos num ciclo virtuoso de crescimento, nós estamos cada vez mais aprofundando o buraco”, declarou em entrevista à GloboNews.
Segundo pesquisa de junho do Simpi, mais da metade dos empresários das micro e pequenas indústrias, exatamente 64%, temem pelo futuro de suas empresa. A busca por financiamento caiu de 16% em janeiro para 10% em junho e cerca de 43% dos empresários que pediram empréstimos não conseguiram. Outros 21% nem resposta receberam, um total de 64% sem condições de investir ou de manter suas empresas nesse período de grave crise econômica.
Segundo 43% dos entrevistados, as altas taxas de juros encarecem o custo do empréstimo.
A inadimplência, que atingia 37% dos empresários em maio, subiu para 42% em junho.
“Tivemos e estamos tendo dificuldade de acesso ao crédito”, declarou o produtor de porcas e parafusos, o empresário Humberto Gonçalves. “Há uma grande dificuldade. Já vinha em dificuldade nos anos anteriores, mas tínhamos uma expectativa de que 2018 seria um ano de retomada, de crescimento da produção”.
Segundo o empresário, “infelizmente tive que cortar, hoje, 10% do nosso quadro. Uma pessoa, um pai de família. É muito triste”, disse.