segunda-feira, 7 de maio de 2018

Inovação tecnológica desenvolvida no HU-UFMA agiliza diagnóstico de artrose do joelho


Método 3D baseado em imagens de profundidade em tempo real ajuda a identificar casos de pacientes em estado degenerativo
Buscando alternativas para acelerar o processo de mensuração de artrose, servidores do Núcleo de Telessaúde do Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA), em parceria com o Núcleo de Ensino e Pesquisa e Laboratório de Ortopedia do hospital, juntamente com o Núcleo de Comunicação Aplicada da UFMA (NCA), desenvolveram uma ferramenta de realidade aumentada que possibilita a estimação do ângulo de desvio do joelho, a fim de diagnosticar pacientes que estão em estado degenerativo.
A osteoartrose (OA) do joelho é uma das formas mais comuns de artrose, sendo prevalente no sexo feminino. É um dos principais contribuintes para a redução de mobilidade e perda de independência funcional, atingindo principalmente os idosos. Provoca a destruição da cartilagem articular de forma progressiva, podendo levar deformidade à região da articulação. O recurso tradicional utilizado para detectar o problema é a radiografia de tamanho curto, popularmente chamado de "raio X". Esse procedimento expõe parte do corpo a uma pequena dose de radiação ionizante para produzir imagens do interior do organismo.
O estudo propõe um método de identificação do eixo anatômico e reconstrução 3D baseados em imagens de profundidade em tempo real, ou seja, sem exposição, dando mais agilidade ao diagnóstico. As imagens são capturadas pelo smartphone, através da Plataforma Tango – módulo do Google que objetiva dar a smartphones e tablets uma noção de espaço por meio de sensores – em profundidade. Seu uso permite reconhecer a nuvem de pontos do paciente e sua localização de acordo com um sistema de coordenadas.
Primeiramente, é feita a captura de vídeo RGB e de profundidade: o paciente encontra-se em pé (em observação) de frente para o observador com o smartphone. Depois, os frames são processados pela API do Tango, fornecendo métodos de visualização e manipulação. Por fim, os dados são processados para serem aplicados de acordo com a necessidade do paciente. Nesse momento é possível verificar o posicionamento do joelho, fêmur e tíbia.
O artigo 'Exame Clínico de Osteartrose do Joelho com Realidade Aumentada', foi orientado pelo professor doutor Anselmo Cardoso de Paiva, vinculado ao Núcleo de Computação da UFMA, e tem como autoria Nigel Lima, Raul Frankllim, Geraldo Braz, Daniel Lima, Humberto Serra e Lucas Maia. O trabalho foi aprovado no 18° Simpósio Brasileiro de Computação Aplicada à Saúde - um dos principais fóruns de divulgação científica e encontro de pesquisadores da área, que será realizado entre os dias 22 e 24 de julho em Natal (RN).  Inovador, o estudo caracteriza-se como pioneiro por utilizar a Realidade Aumentada como exame clínico.
Nigel Lima, estudante de Ciência da Computação, desenvolvedor no Núcleo de Telessaúde e do NCA, um dos autores do trabalho, afirma que essa ferramenta traria benefícios para o médico e paciente. “No momento da consulta clínica, com a aplicabilidade do recurso, o médico teria a possibilidade de entender o desvio do paciente antes mesmo de realizar o raio X. Além disso, o sensor de profundidade do Tango permite a reconstrução 3D instantânea melhorando a visibilidade. Já o paciente, economiza seu tempo com o diagnóstico imediato”, sublinha.