segunda-feira, 2 de outubro de 2017

É a vez da Defensoria Pública do Estado do Maranhão


Por Clésio Coelho Cunha.
Essa terra em que a elite se apropriou de tudo, tem a cara das pessoas que detém o poder. Aqui aportaram alguns franceses, portugueses, holandeses, e milhares de negros africanos, mas a história da colonização só faz referências importantes como emblema aos garbosos heróis europeus, mesmo sabendo-se que alguns deles não passavam de nojentos sanguinários.
Esses que foram escravizados por séculos, e que ainda hoje sofrem os efeitos do escravismo no ano de 2017, compõem a classe de pobres e miseráveis do Maranhão. E não duvide disso, da subsistência dos efeitos do escravismo na sociedade maranhense, e pense nas exatas palavras de Joaquim Nabuco a pretexto do fim do regime escravocrata do Brasil ao afirmar que o escravismo deixaria marcas indeléveis na sociedade brasileira por séculos. Veja bem, por séculos, disse Nabuco. E não se completou o segundo século do fim do escravismo oficial no Brasil.
Claro que as marcas do escravismo certamente não são as marcas de sangue nos pelourinhos, nem muito menos as marcas nos lençóis das negras estupradas pelos donos do poder, ou convencidas a defloradas serem pelo Senhor na Casa Grande, não deixando esse privilégio para o verdadeiro amor da senzala, o que se constituíram também em estupros, por falta de consensualidade. Nem muito menos o suor dos trabalhadores rurais negros e descendentes, que continuaram sendo escravos no regime de “terças” ou de “meias”, e na condição de “moradores” das terras dos ex-senhores, situação que perdurou fortemente durante todo o século vinte no Maranhão, e ainda tem ocorrências sérias neste século 21.
As marcas do escravismo estão principalmente nas mentes das pessoas por conta da cultura, dos costumes e da ideologia escravista que atravessou o século passado e chegou ao século 21 e agora estão nas mentes de quem ocupam o andar cima. Essas marcas não estão só na aceitação por partes dos discriminados, de que as “dores” são assim mesmo, são naturais e os pobres devem sofrê-las mesmo, e que não há culpado por isso. Estão também na cabeça de pessoas iguais ao agente público que recentemente propagandeou que a DPE é desnecessária, a título de moralização do Brasil, pois só serviria para drenar recursos públicos.
Não é segredo para ninguém. É um fato de conhecimento vulgar e todo mundo sabe disso: A Defensoria Pública do Maranhão depois de estruturada nos moldes atuais foi um “presente” aos presos pobres, aos pretos presos, às putas e putos, aos gays, às lésbicas, e à comunidade LGBT, e de modo geral e excepcional, se colocou ao lado das pessoas humildes ao encontrar um espaço não ocupado por outras instituições, que também se diziam protetoras de direitos.