quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Maranhão foi o 2° em mortes no campo em 2016



Mortes no campo bateram recorde no Brasil em 2016
O Maranhão confirmou a segunda posição do país em número de mortes no campo ano passado, com 12 registros até dezembro. Em todo o Brasil, ocorreram 59 mortes por conflitos agrários, em 2016, segundo dados preliminares divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização ligada à Igreja Católica. O índice é o mais alto desde 2003, quando 71 pessoas foram assassinadas em razão de disputas no campo.
A maioria das mortes foi motivada por conflitos por água ou terra. As vítimas são, principalmente, camponeses, posseiros, líderes quilombolas, indígenas e pequenos proprietários de terra. Ainda de acordo com a CPT, vários fatores explicam a violência no campo, inclusive a instabilidade política no país. A impunidade é apontada como uma das principais causas das ações violentas.
Um dos crimes mais emblemáticos no Maranhão ocorreu em 31 de março, quando o quilombola conhecido como Zé Sapo foi assassinado. Segundo a Pastoral da Terra, o homicídio foi motivado por um conflito de terra iniciado há sete anos. A vítima pertencia à comunidade Cruzeiro/Triângulo, que luta pelo reconhecimento do seu território.
Recorde
O número de vítimas é crescente nos últimos anos: foram 50 assassinatos em 2015, 14 a mais do que no ano anterior. Além dos assassinatos, outros tipos de violência no campo foram comuns, como ameaças de morte, perseguições, intimidações e destruição de lavouras e casas. O relatório completo será divulgado em abril.
A Região Norte foi a que mais registrou ocorrências, seguida, pela ordem, das regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, de acordo com os dados parciais da CPT. O estado de Rondônia ocupa o primeiro lugar da lista, seguido de Maranhão e Pará.
Um dos casos de repercussão mo paós foi o assassinato da integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Nilce de Souza Magalhães, em Porto Velho, em Rondônia, ocorrido em janeiro de 2016.
Nilce era conhecida pela luta contra a construção da usina hidrelétrica de Jirau e desapareceu no dia 7 de janeiro de 2016. Seu corpo foi encontrado em junho, amarrado a pedras, nas profundezas do lago de Jirau.