quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Eduardo Braide e sua lógica própria da vitória



O deputado estadual Eduardo Braide, candidato do PMN a prefeito de São Luís, segue surpreendendo o eleitor e a classe política.
Depois da arrancada que o levou ao 2º turno, as atenções se voltaram ao desempenho do parlamentar na possível montagem de um arco de alianças – desnecessário no 1º turno diante de uma candidatura que, imaginava-se, iria apenas cumprir tabela.
Mas uma declaração do candidato deixou o meio político em polvorosa: disse Braide logo na primeira entrevista coletiva desta semana que não fará concessões numa futura administração em troca do apoio ao seu projeto eleitoral.
Trocando em miúdos, ele afirma que não loteará um possível governo para garantir a chegada de lideranças que o ajudem a vencer a eleição.
Houve reações. A maioria delas, vindas dos altos círculos de poder, em tom de crítica. Apontam arrogância, ou “já ganhou” do candidato. E prevêem quem esse pode ser o início do seu fim.
Nada disso…
Essa lógica da montagem de “governos de coalizão” é uma invenção do lulo-petismo, que precisou abrir espaços para a chegada de aliados de ocasião e, enfim, vencer uma eleição presidencial no Brasil.
É, para muitos, a gênese de alguns dos escândalos de corrupção que hoje vêm à tona no país.
Mas essa é a lógica padrão da política atual.
Com apenas 10 segundos na propaganda eletrônica no 1º turno, sem qualquer coligação e alicerçado apenas no seu bom desempenho pessoal nos debates, Braide conseguiu angariar votos que estavam por assim dizer “soltos”. À procura de um candidato.
Não foram forças políticas, na sua essencial eleitoral, que levaram Braide ao 2º turno.
A lógica da sua vitória até aqui é completamente diversa da que nos acostumamos a ver. Ela é quase uma negação da política.
Onde já se viu, um candidato que não coligou com ninguém, que não tem tempo de TV, que não tem estrutura e que quase não gastou chegar assim ao 2º turno? Passando como um rolo compressor sobre os adversários?
Pois é… Aconteceu.
Por isso a Braide restam dois caminhos: sucumbir a essa lógica institucionalizada da montagem de um “governo de coalizão” para ter apoio político – algo a que ele não parece nem um pouco inclinado -, ou manter-se fiel ao voto que conquistou justamente por ter-se apresentado como o oposto da política tradicional.
E, pelo menos em primeira análise, a fidelidade a esse “pacto” que foi firmado com o eleitor no 1º turno parece ser a única chance de vitória de Braide no 2º.