segunda-feira, 9 de maio de 2016

Renan ignora decisão que anulou impeachment e dá continuidade a processo

Presidente do Senado rejeitou medida adotada por Waldir Maranhão e deu prosseguimento ao trâmite do impeachment, que terá a leitura do parecer de Anastasia nesta segunda-feira

Renan Calheiros considerou a medida de Maranhão
André Dusek/Estadão Conteúdo - 9.5.16
Renan Calheiros considerou a medida de Maranhão "ilegal" e "absolutamente intempestiva"

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu ignorar a decisão do presidente em exercício da Câmara, o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), de anular a sessão que autorizou a continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Em sessão plenária no Senado na tarde desta segunda-feira (9), Renan considerou a medida de Maranhão "ilegal" e "absolutamente intempestiva".
"Nenhuma decisão monocrática pode se sobrepor a uma decisão colegiada. A decisão [sobre a continuidade do impeachment] foi tomada pelo conjunto dos deputados no plenário daquela Casa", afirmou Renan – aplaudido pelos senadores da oposição ao governo.
O presidente do Senado também rechaçou o argumento de que a comunicação sobre a votação do impeachment na Câmara ao Senado não foi realizada da maneira correta, como alegou Maranhão. "A comunicação é etapa posterior ao ato já concluído. Não poderia tornar nulo o ato prévio", alegou o senador.
Após comunicar que "deixaria de reconhecer" a decisão do presidente interino da Câmara, Renan pediu o início da leitura do parecer formulado pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), relator do pedido de impeachment na Comissão Especial do Impeachment no Senado.

Segundo o senador Randolfo Rodrigues (Rede-AP), durante a reunião de líderes, alguns senadores sugeriram que o presidente do Senado aguardasse um posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF). "Entretanto, ele acha que não devemos judicializar ainda mais essa questão. Está na hora de ação política e de tomar uma decisão", acrescentou o senador do Amapá.Mais cedo, Renan recebeu senadores na residencia oficial do Senado em uma reunião de emergência.
Antes de anunciar sua decisão aos líderes, Renan se reuniu, na residência oficial com lideranças do PT, do PCdoB e da oposição para discutir a decisão do presidente da Câmara.
A leitura do parecer no plenário da Casa abrirá prazo de 48 horas para a sessão de votação do relatório. Se ele for aprovado, a presidente Dilma será imeadiatamente afastada do cargo pelo período de 180 dias.
*Com informações da Agência Brasil