quarta-feira, 25 de maio de 2016

José Sarney teria prometido a empresário proteção contra a Lava Jato, diz jornal

Em áudio, ex-presidente do Brasil afirmou, segundo reportagem, que "não poderia meter" advogados no esquema

Sarney teria prometido ajuda a ex-presidente da Transpetro em áudio divulgado nesta quarta-feira
Agência Senado
Sarney teria prometido ajuda a ex-presidente da Transpetro em áudio divulgado nesta quarta-feira
O ex-presidente José Sarney (PMDB) teria prometido, em um áudio gravado durante conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, ajudá-lo a se proteger da Operação Lava Jato e não ser transferido para Curitiba, no Paraná, onde cairia nas mãos do juiz federal Sergio Moro, responsável pelas investigações operação. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
No áudio, segundo a reportagem, Machado afirma estar preocupado em ser julgado por Moro e que não "poderia descer até lá", em uma referência à insância comum da Justiça. Sarney responde que pode auxiliá-lo. "Temos é que fazer o nosso negócio e ver como é que está o teu advogado, até onde eles falando com ele em delação premiada", disse, enfatizando que a ideia não poderia ser levada adiante com um advogado. "Sem meter advogado", teria repetido por três vezes.
Em nota, José Sarney disse não ter condições de se posicionar até escutar as gravações. Afirmou, entretanto, que as conversas com Sérgio Machado foram "solidárias". "As conversas que tive com ele nos últimos tempos foram sempre marcadas, de minha parte, pelo sentimento de solidariedade, característica de minha personalidade. Nesse sentido, expressei sempre minha solidariedade na esperança de superar as acusações que enfrentava. Lamento que conversas privadas tornem-se públicas, pois podem ferir outras pessoas que nunca desejaríamos alcançar."Questionado sobre a necessidade de incluir o senador Romero Jucá (PMDB-RR) no esquema, Sarney foi claro. "[Não acho] conveniente, a gente não põe muita gente", respondeu. "O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito procedente. Não deixar você voltar para lá [Curitiba]", concluiu.