terça-feira, 24 de maio de 2016

Janot mira em Dilma e Lula

Crédito: ANDRE DUSEK/ESTADÃO
RETA FINAL Janot acredita ter provas suficientes para condenar o ex-presidente Lula (Crédito: ANDRE DUSEK/ESTADÃO)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já tem provas suficientes para garantir que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a sua sucessora, Dilma Rousseff, operaram para barrar as investigações da Operação Lava Jato. A quebra do sigilo fiscal de Maurício Bumlai, filho do compadre de Lula José Carlos Bumlai, e-mails do Instituto Lula e registros telefônicos comprovam o conteúdo da delação do ex-senador Delcídio do Amaral. Todos estes documentos foram encaminhados por Janot ao Supremo Tribunal Federal. A papelada, segundo procuradores, prova que o ex-presidente foi o mentor da operação para tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Mostram também que o dinheiro entregue à família de Cerveró partiu das contas do filho de Bumlai e que os encontros com Lula narrados por Delcídio em sua delação, de fato, ocorreram. A robustez dos indícios colhidos coloca Lula mais próximo de ser condenado por obstrução à Justiça.
Em depoimentos, Delcídio do Amaral e seu chefe de gabinete, Diogo Ferreira, disseram a integrantes da Lava Jato que o ex-presidente Lula temia que Nestor Cerveró pudesse, em troca de redução de pena, narrar fatos que o comprometessem ou incriminassem seu compadre José Carlos Bumlai nos desvios da Petrobras. A operação para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras acabou frustrada após o filho de Cerveró entregar às autoridades áudios de uma reunião em que Delcídio oferecia até um plano de fuga cinematográfico ao exterior para o ex-diretor da estatal, preso desde janeiro de 2015. A entrega das gravações foi, aliás, o primeiro passo para que Cerveró firmasse um acordo de delação premiada. Para desespero dos petistas, ele contou à Justiça que parte do seu crescimento profissional na estatal se deve à gratidão de Lula por serviços de corrupção prestados. Detalhou como tirou do papel uma operação ilícita de aluguel de navios-sondas pela Petrobras para quitar um empréstimo de R$ 12 milhões feito por José Carlos Bumlai, compadre do ex-presidente, com o Grupo Schahin.
Os problemas do ex-presidente vão além. As investigações da Lava Jato dizem que ele possibilitou o Petrolão. Apuram também as supostas ocultações de um sito em Atibaia e de um tríplex no Guarujá. Os imóveis foram reformados por empreiteiras investigadas nos desvios da Petrobras. Em outra frente, a Polícia Federal deflagrou a operação Janus, na sexta-feira 20, para investigar parentes e pessoas próximas ao ex-presidente por suspeitas de receberem vantagens para auxiliar na obtenção de empréstimos do BNDES.
Outra tentativa de barrar a Lava Jato narrada pelo ex-líder do governo Delcídio do Amaral é alvo de um pedido sigiloso de investigação no Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República deseja aprofundar as denúncias do senador de que houve uma conspiração envolvendo a presidente afastada Dilma Rousseff, o então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e dois ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para livrar executivos. Segundo a delação, o Palácio do Planalto, em acordo com o presidente do STJ, Francisco Falcão, nomeou Marcelo Navarro Ribeiro para a Corte. Em troca, ele votaria pela liberdade de empreiteiros. Todos se dizem inocentes. No cargo, Marcelo Navarro Ribeiro se posicionou favorável à soltura de executivos da Andrade Gutierrez, mas acabou derrotado. Um fato que corrobora as acusações de Delcídio e coloca em dúvida a isenção de integrantes dos principais poderes da República.