quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Presidente interino da CBF também já foi investigado


Divulgação/Agência ParáCoronel Antônio Nunes está na presidência da FPF há mais de duas décadasDivulgação/Agência Pará
Antônio Carlos Nunes de Lima, que se tornou conhecido no País pela patente de coronel que carrega como apelido e impasses que envolvem o comando da CBF, é um homem de 79 anos bem-humorado e contador de causos. Coronel Nunes, ex-chefe de Segurança do Pará, só muda a feição quando pressionado: solta uma frase forte, mas se desvia das polêmicas de forma rápida, silenciando na cadeira de presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF), a qual ocupa há mais de duas décadas.  
Com essa estratégia, Coronel Nunes, nomeado presidente interino da CBF por 150 dias, se mantém como um dos dirigentes de federação com mandatos mais longevos do Brasil. Em 2009, anunciou que se aposentaria da entidade no final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, mas acumula seis mandatos consecutivos e agora deu um salto na hierarquia burocrática do futebol nacional, mesmo sendo um dirigente estadual sem poder de decisão na CBF – motivo de críticas de opositores e diretores dos maiores clubes do Pará.
“O coronel Nunes é um dos responsáveis pela atual situação do futebol paraense”, criticou um ex-dirigente do Paysandu, que pediu para não ser identificado. Para ele, Nunes é um aprendiz de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e segue no poder porque aprendeu a assegurar o apoio das ligas estaduais no interior do Estado. Na mesma lógica, mas em escala maior, o coronel foi um dos sustentáculos de Teixeira, José Maria Marin e agora de Marco Polo Del Nero.
O momento mais desgastante do comando do coronel Nunes na FPF foi quando a Fifa escolheu Manaus como sub-sede amazônica para a Copa do Mundo em detrimento de Belém. Ele recebeu uma série de críticas, entre elas a de se contentar com “mimos” da CBF para apoiar as decisões da presidência. Entre os prêmios recebidos pela lealdade a Ricardo Teixeira, Nunes foi escalado para chefiar a delegação da seleção brasileira na Copa das Confederações na África do Sul, em 2009.  
Investigações - Coronel Nunes gosta de conversar sobre pontos positivos do futebol paraense, como o sucesso do sobrinho Lima, destaque do Benfica, de Portugal, transferido ano passado para o Al-Ahli, dos Emirados Árabes, por R$ 25 milhões. Mas o dirigente não gosta de comentar sobre questões polêmicas que envolvem a administração da FPF, sobretudo a relação com agência de viagens Rocha Romano – de propriedade do diretor de futebol profissional da entidade, Paulo Romano – apurada pela CPI do Futebol Paraense, aberta pela Assembleia Legislativa em 2013.
Nunes foi procurado pelo Portal LeiaJá nesta quinta-feira (7), mas não retornou as ligações para falar sobre as operações de compras de passagens para clubes locais nas temporadas marcadas pelo processo de “interiorização” do Campeonato Paraense, de 2011 a 2013 – com verbas destinadas pelo Governo do Estado, via Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel). Inquérito do Ministério Público do Pará investiga possíveis irregularidades no convênio.