quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Lula quer PT reagindo à “criminalização”; no Maranhão, o partido está mais fragilizado que nunca

Luiz Inacio Lula da Silva, Brazil's president, attends a meeting regarding changes in the Brazilian tax system at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on Thursday, Feb. 27, 2008. Brazil posted a budget surplus of 5.53 billion reais ($3.3 billion) in January, and Finance Minister Guido Mantega said that the country's tax code will boost economic growth to 5.5 percent. Photographer: Adriano Machado/Bloomberg News
Lula quer PT reagindo à criminalização e diz em entrevista que não existe no mundo alguém é mais honesto que ele
O ex-presidente Lula disse ontem que o PT está sendo massacrado e que é hora de seus líderes petistas reagirem e partir para a autodefesa no embate político. Para ele, o partido está sendo criminalizado por causa da Operação Lava Jato, demonstrando fragilidade diante de acusações, muitas vezes sem provas, contra suas lideranças. Para o ex-presidente, as investigações, a descoberta do esquema de corrupção na Petrobras e a evolução de outras investigações só foram possíveis porque o governo da presidente Dilma Rousseff, a começar por ela própria, assegurou liberdade de ação da Polícia Federal e não criou qualquer tipo de obstáculo para que todas as suspeitas e denúncias sejam esclarecidas. O ex-presidente assinala que o governo que está agindo com essa correção é o governo do PT, mas contraditoriamente o partido não está reagindo no campo político como deveria reagir. E acrescentou que o PT tem história e tem lastro político e suporte eleitoral para enfrentar esse combate político, e se disse disposto a participar desse enfrentamento.
Sobre a timidez do PT diante dos desafios políticos que estão à sua frente, o ex-presidente Lula diz uma verdade que poderá ate incomodar as fileiras do partido, mas ela é a mais pura e cristalina.  No caso do PT do Maranhão, o partido foi tomado por letargia que contraria radicalmente aquele grupo político ousado e até agressivo que animou a política maranhense nos anos 80 e 90 do século passado e que perdeu estrelas e brilho depois que se tornou linha auxiliar do PMDB no estado. Tal atrelamento – rejeitado pela base, mas imposto pela cúpula – fragilizou o PT de tal modo que atualmente o partido não sabe nem se defender da pancadaria a que é submetido diariamente.
Para começar, o PT maranhense perdeu várias das suas estrelas, militantes de primeira hora e que, decepcionados com a orientação do partido no Maranhão, resolveram romper com a sigla e procurar outro abrigo partidário. O exemplo mais importante é o ex-deputado federal Domingos Dutra, fundador do partido no estado e que nele militou durante quase três décadas, e com o qual só rompeu depois de esgotar todos os recursos ao seu alcance – incluindo uma greve de fome na Câmara Federal – para evitar a aliança com o PMDB. Derrotado pelo comando nacional do partido, que impôs a aliança apesar de a maioria ter decidido o contrário, Domingos Dutra deixou o PT e se filiou ao PCdoB, pelo qual está em campanha para a Prefeitura de Paço do Lumiar – pesquisas feitas recentemente o apontam na liderança da corrida. Outra liderança que não aceitou a aliança com PMDB foi o deputado Bira do Pindaré, que se filiou ao PSB depois de perceber que o confronto interno nada resolveria. Os demais nomes de peso do partido se calaram e saíram de cena, como a respeitada ex-deputada Helena Heluy.
Outros quadros importantes, como o professor Francisco Gonçalves e o militante Márcio Jardim, permaneceram no partido, mas liderando um movimento que o rachou, aliando-se ao movimento liderado por Flávio Dino, a quem apoiou enfaticamente na corrida para o Governo do Estado em 2010 e 2014. Hoje integrando o Governo Flávio Dino, o grupo apoia o alinhamento do governador à presidente Dilma Rousseff, contestando o pedido de impeachment, mas sem entrar abertamente na guerra política.
Representado hoje por apenas um deputado federal (José Carlos), dois deputados estaduais (Zé Inácio e Francisca Primo), alguns prefeitos e um punhado de vereadores, o PT do Maranhão é um partido quase sem expressão, cor e sem discurso, liderado por um comando cuja legitimidade está há muito por um fio. Suas manifestações se limitam a caminhadas eventuais de alguns militantes e funcionários de centrais sindicais ligadas ao partido, como a CUT, entre as praças João Lisboa e Deodoro, passando pelo corredor da Rua Grande, sempre sob o comando do calejado professor Raimundo Monteiro, cuja liderança está abalada.
O fato, incontestável, é que o PT do Maranhão se enquadra inteiramente no cenário desenhado ontem pelo ex-presidente Lula: um partido dividido, acanhado, sem maiores perspectivas e que não parece ter ânimo para entrar no debate político para valer.