segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Governo Flávio Dino abre processo e pode expulsar policial maranhense que atirou durante ato em Brasília

Investigador Marcelo Thadeu no momento em que era preso após atirar em manifestação em Brasília
Investigador Marcelo Thadeu no momento em que era preso após atirar em manifestação em Brasília
exclusivoO secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, instaurou processo administrativo disciplinar contra o investigador de polícia Marcelo Thadeu Penha Cardoso, que no dia 18 de novembro do ano passado foi preso após disparar tiros durante marcha de mulheres negras contra o racismo, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, da qual participavam integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Setores que defendem o policial alegam que ele está sendo vítima de perseguição política por parte dos direitos humanos, por movimentos atrelados ao Governo Federal e pela própria gestão e fizeram uma petição ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para tentar evitar sua exoneração.
A portaria por meio da qual a SSP investigará a responsabilidade funcional de Marcelo Thadeu, de nº 838/2015, foi publicada no Diário Oficial do Estado no último dia 23 de dezembro. Caberá ao delegado Antônio de Lima Paulino e aos investigadores José Marcelino Araújo dos Santos e Cleneida da Rocha Campelo conduzir a apuração, que pode resultar na expulsão do colega, lotado no 6º Distrito Policial, na Cohab, dos quadros da Polícia Civil do Maranhão.
O fato
Portaria baixada pela SSP para investigar conduta do investigador Marcelo Thadeu Penha Cardoso
Portaria baixada pela SSP para investigar conduta do investigador Marcelo Thadeu Penha Cardoso
Ao passar pela Esplanada dos Ministérios, os ceca de 10 mil participantes da marcha contra o racismo se deparam com um acampamento montado por um grupo que protestava contra o governo Dilma Rousseff e defendia volta do regime militar. O clima ficou tenso e foi justamente nesse momento que o policial maranhense fez os disparos. Foram quatro tiros para o alto, efetuados, segundo Marcelo Thadeu, como forma de se defender, pois ele disse ter-se sentido ameaçado pelos manifestantes do MST e da CUT.
Preso em fragrante e conduzido à 5ª Delegacia de Polícia Civil do Distrito Federal, o investigador, que teve a arma apreendida, só foi solto após pagar fiança de R$ 15.670,00. Mas os autos foram encaminhados pela 3ª Vara de Brasília à SSP, que decidiu investigar a conduta do seu membro.
Perseguição política?
Na petição dirigida ao MPF e à PF, os defensores de Marcelo Thadeu argumentam que ele está sendo vítima de injustiça e de perseguição política por parte do que chamam de “crime político organizado”, cuja intenção é vê-lo expulso da Polícia Civil do Maranhão. “Marcelo está sendo perseguido por ter defendido vidas na Esplanada dos Ministérios no ataque do MST e da CUT, sendo acusado de racista e fascista pelos direitos humanos, pelo governo federal e os movimentos pró-governo”, acusam os apoiadores do policial. “Marcelo não é racista. Apenas defendeu seu povo e agiu em legítima defesa”, alegam, acrescentando que ele está sendo monitorado pelo Serviço de Inteligência da Presidência da República.
A suposta motivação política deve ser levada em conta na condução do processo contra o policial, que é alvo da hostilidade governista. Seria inadmissível o tratamento diferenciado ao caso neste momento em que o governador Flávio Dino se destaca como um dos artífices do plano que visa à preservação do mandato da presidente Dilma Rousseff.