terça-feira, 13 de outubro de 2015

Aliados e adversários se movimentam para substituir Cunha na Câmara

O avanço da Operação Lava-Jato sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e a comprovação de que ele movimentou R$ 32 milhões em quatro contas na Suíça abriram uma disputa silenciosa, e ainda tímida, pela sucessão do parlamentar no comando da Casa. O parlamentar nega a posse de dinheiro e empresas offshore no exterior, mas, com a situação fragilizada, vê o avanços de adversários e até de aliados interessado posto – o segundo na sucessão presidencial. Os favoritos para ocupar a cadeira, caso Cunha não resista, são nomes do próprio PMDB, mas há alternativas tidas como mais consensuais em partidos menores, como o Pros. Nomes da oposição e independentes também cogitam posicionar-se na disputa.
eduardo cunha
Hoje, o PSol apresenta o pedido de abertura de processo no Conselho de Ética com o objetivo de cassar o mandato de Cunha. Pela primeira vez, o deputado desembarcará em Brasília sem o apoio da oposição. O resultado das movimentações para suceder Cunha, porém, dependerá do que vai acontecer nas primeiras horas desta terça-feira, avaliaram parlamentares ouvidos pelo Correio.
Para Ivan Valente (PSol-SP) e uma fonte ligada à Mesa Diretora, um nome com viabilidade deveria reunir duas características: ser do PMDB e ter bom trânsito entre os colegas. O PT tende a apoiar a escolha peemedebista, depois de ver o quanto foram amargas as derrotas por tentar se opor a Cunha na eleição passada. Mas identificar esse quadro na legenda de Michel Temer não é algo simples.
O líder dos peemedebistas na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), se desgastou com a base ao assumir uma posição extremamente governista, avaliam os colegas de dentro e de fora do partido. Ele também queimou a largada ao se dizer pronto para ocupar a Presidência da Casa, durante entrevista. O parlamentar pediu cautela em relação ao pedido de cassação de Cunha e ao de Dilma. “Ele (Cunha) tem dito que continuará no cargo”, lembrou Picciani, ontem à tarde. “A bancada defende o contraditório e o princípio da ampla defesa.” O líder afirma que a substituição de Cunha não é discutida oficialmente, mas há apenas “conversas esparsas”.
Experiência
Primeiro nome na sucessão de Cunha, o vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), tem contra si o fato de ser mais um integrante da Mesa Diretora envolvido na Lava-Jato. Segundo Valente, ainda falta a ele experiência com o Regimento Interno da Câmara para conduzir as sessões em período tão conturbado. “Ele não consegue dirigir uma sessão: teve uma do Congresso Nacional em que ele se enrolou todo”, narrou. Outra possibilidade seria Lelo Coimbra (ES). O parlamentar cresceu na bolsa de apostas dos colegas, mas despista ao tratar do tema. Jarbas Vasconcelos (PE) é bem quisto pela oposição, mas avalia-se não ter todo o apoio necessário, especialmente na base governista.
Com informações do Correio Braziliense